O número de brasileiros barrados nas fronteiras da União Europeia, notificados para deixar países do bloco e repatriados aumentou em 2025, segundo dados divulgados pelo Eurostat no início de maio. O Brasil ficou entre os 15 países com mais cidadãos impedidos de entrar na UE e também entre os que registraram maior número de repatriações. Ao todo, 3.050 brasileiros foram repatriados no período, alta de 94% em relação a 2024, colocando o país na 13ª posição entre cerca de 170 nacionalidades analisadas.
Os dados mostram que 2.910 brasileiros tiveram a entrada negada na União Europeia, crescimento de 14% na comparação anual. A maior parte das recusas ocorreu em aeroportos, responsáveis por 92% dos casos, com destaque para Portugal e Irlanda, países que concentram grandes comunidades brasileiras. Em toda a UE, 132,6 mil estrangeiros foram barrados nas fronteiras externas, aumento de 7%, com Polônia, França e Croácia liderando as restrições. Também houve crescimento nas notificações para saída por permanência irregular. No caso dos brasileiros, 6.875 receberam ordem para deixar países europeus, alta de 57%, principalmente na Bélgica, França e Portugal, onde mudanças recentes na legislação migratória ampliaram o rigor nos processos de regularização.
As repatriações de brasileiros ocorreram principalmente a partir da Bélgica, França, Portugal e Irlanda. Segundo o levantamento, 56% dos retornos ocorreram de forma voluntária com assistência para viagem, enquanto cerca de 30% foram deportações. No total, 135,4 mil estrangeiros foram repatriados para fora da União Europeia em 2025, aumento de 21%. Para o professor Pedro Góis, especialista em migrações da Universidade de Coimbra, os números refletem maior rigor na aplicação das regras migratórias e o avanço de sistemas tecnológicos de controle, como o EES, mecanismo de registro biométrico e monitoramento de entradas e saídas de viajantes de países fora da UE, cuja implementação tende a ampliar a fiscalização sobre permanência irregular nos próximos anos.
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